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BURACÃO… NO PEITO!

BURACÃO… NO PEITO!

 

E então você percebe

E então você sente

Olha pra baixo e vê

Assustado

Um buraco

Um buracão

No seu peito

 

Como isso foi parar aí?

Quem o colocou aí?

Serve pra alguma coisa?

O que tinha no lugar?

 

Buraco no peito

Local do nada

Agora ficou o vazio, o ermo, o zero

 

Como não percebi quando ainda estava pequeno?

Como não percebi o que o fez nascer

Quando era um buraco-bebê?

Como eu só vi agora?

 

O fato é que ele tem uma história

Ele faz parte de mim agora

E não há nada mais que possa tapar esse buraco

Ocupando direitinho o que tinha aí

 

O buraco faz parte de mim

O buracão também sou eu

 

SX

Quaresma/2026

 

(*) Imagem criada por IA com auxílio do Copilot.

6 comentários em “BURACÃO… NO PEITO!”

  1. Professor, seu poema é de uma sensibilidade rara. A forma como o senhor traduz o vazio em linguagem , toca profundamente quem lê em várias nuances.É um texto que não apenas se lê, mas se sente. Obrigada por compartilhar algo tão humano e necessário. Aqui o peito doeu.

    1. Dói, né, Keila?
      E mesmo tentando, com ajuda das palavras, o que se sente mesmo, na realidade, é indizível, né?
      Nem com páginas e mais páginas…
      Obrigado e abração pra ti!
      SX

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