BURACÃO… NO PEITO!
E então você percebe
E então você sente
Olha pra baixo e vê
Assustado
Um buraco
Um buracão
No seu peito
Como isso foi parar aí?
Quem o colocou aí?
Serve pra alguma coisa?
O que tinha no lugar?
Buraco no peito
Local do nada
Agora ficou o vazio, o ermo, o zero
Como não percebi quando ainda estava pequeno?
Como não percebi o que o fez nascer
Quando era um buraco-bebê?
Como eu só vi agora?
O fato é que ele tem uma história
Ele faz parte de mim agora
E não há nada mais que possa tapar esse buraco
Ocupando direitinho o que tinha aí
O buraco faz parte de mim
O buracão também sou eu
SX
Quaresma/2026
(*) Imagem criada por IA com auxílio do Copilot.

Que triste e profundo.. que esse buraco feche logo!
Que feche com coisa boa!
SX
Muito sinistro esse buraco. E esse poema.
Sinistro sim, Paulo… Abraço!
SX
Professor, seu poema é de uma sensibilidade rara. A forma como o senhor traduz o vazio em linguagem , toca profundamente quem lê em várias nuances.É um texto que não apenas se lê, mas se sente. Obrigada por compartilhar algo tão humano e necessário. Aqui o peito doeu.
Dói, né, Keila?
E mesmo tentando, com ajuda das palavras, o que se sente mesmo, na realidade, é indizível, né?
Nem com páginas e mais páginas…
Obrigado e abração pra ti!
SX