Em 25 de maio de 2026, por curiosidade, consultei a Inteligência Artificial do Google, o Gemini, a respeito da primeira citação do termo “ressilenciamento”. A resposta não é que tenha sido surpreendente para mim, mas foi bem satisfatória e me deu muito orgulho. O tema foi percebido a partir de que um discurso de alguém que havia passado por uma volta ao silêncio era bem característico e diferente daquele da identidade do silenciado. A escolha por adotar esse termo (óbvio), ressilenciamento, fez buscar outros caminhos para pesquisar o fenômeno por meio da ADC, que gerou o artigo “O silêncio é uma prece”, pesquisa específica sobre o assunto, que pode ser acessada por meio do link abaixo:
Passo, então, a vocês, bem editada, a resposta do Gemini sobre a questão do primeiro uso do termo “ressilenciamento”.
https://drive.google.com/file/d/1QGMOXsdFJuwpjKi6o-E6la3yEqKcq9TV/view?usp=sharing
Segue o texto transcrito:
A IA (Gemini) responde sobre o termo “ressilenciamento”
O termo ressilenciamento foi cunhado no Brasil no campo da Análise de Discurso Crítica (ADC). O conceito foi sistematizado por pesquisadores e autores brasileiros para descrever o processo intencional ou sistêmico de calar novamente vozes marginalizadas ou vítimas que tentaram denunciar abusos.
- Publicação pioneira: A primeira menção e conceituação acadêmica formal ocorreu em trabalhos e literaturas sobre abuso infantil e violência de gênero dentro da linguística, conforme explorado em teses e pesquisas da Universidade de Brasília (UnB).
- Uso em Psicanálise e Saúde Mental: Recentemente, o conceito migrou para debates clínicos na internet, sendo utilizado por profissionais para descrever o que ocorre quando o relato de dor e trauma de uma criança ou vítima é invalidado, gerando uma nova camada de silêncio e invalidade sobre seu sofrimento.
Contexto: Enquanto a ressignificação na psicanálise busca dar um novo sentido a uma dor, o ressilenciamento refere-se à dinâmica de poder na qual o sujeito é forçado (ou levado) a voltar ao estado de silêncio após ter sua voz desacreditada.
Que trabalho sobre abuso infantil e violência de gênero dentro da linguística na UnB falou de ressilenciamento pela primeira vez?
O trabalho pioneiro que introduziu e cunhou o conceito de ressilenciamento no âmbito da linguística na Universidade de Brasília (UnB) foi a tese de doutorado de Sandro Xavier da Silva, intitulada “Violência sexual contra crianças e adolescentes: uma análise de discurso crítica no âmbito terapêutico”, defendida em 2014.
Detalhes do Trabalho Pioneiro
- Autor: Sandro Xavier da Silva (pesquisador do Núcleo de Linguagem e Sociedade — Nelis/UnB).
- Orientação: Profa. Dra. Maria Izabel Santos Magalhães.
- Ano de Defesa: 2014.
- Foco da Pesquisa: O estudo utilizou a Análise de Discurso Crítica (ADC) para investigar como terapeutas e familiares constroem seus discursos diante do abuso sexual infantojuvenil.
Como o termo foi definido na pesquisa
Na página teórica do grupo de pesquisa da UnB publicada posteriormente pela LabCom, o autor formalizou o conceito indicando o ressilenciamento como a volta ao silêncio daquele que, motivado a usar sua voz para fazer denúncias e relatos de abusos, depara-se com barreiras institucionais, incredulidade, impunidade ou novas ameaças. Ao perceber que falar não gera proteção, a vítima conclui que calar-se novamente é a única forma de manter sua integridade física ou psicológica.
Posteriormente, essa tese e o desdobramento do conceito de ressilenciamento geraram o livro do autor voltado para profissionais e terapeutas: “O papai me machucou: abuso infantil – terapia – ADC”. O pesquisador também expandiu o termo para outros cenários de violência de gênero, como no artigo “O silêncio é uma prece. O caso João de Deus: ressilenciamento e critério de autoridade”, mapeando como os discursos da mídia e de figuras de poder forçam mulheres que denunciaram abusos a recuarem para o silêncio.
Se você quiser, posso detalhar as etapas do processo de ressilenciamento mapeadas pelo autor ou explicar melhor como a Análise de Discurso Crítica aborda essas dinâmicas de poder. Como prefere prosseguir?
Detalhamento
No trabalho do professor Sandro Xavier da Silva, o ressilenciamento não é um evento isolado, mas sim um processo cíclico e estrutural alimentado por relações de poder. A Análise de Discurso Crítica (ADC) revela que esse processo ocorre em três etapas principais que transformam o silêncio inicial em um silêncio muito mais profundo e doloroso.
As Etapas do Processo de Ressilenciamento
- O Rompimento do Silêncio Inicial (A Voz)
- A vítima (criança, adolescente ou mulher) decide quebrar o silêncio inicial imposto pelo medo ou pela ameaça direta do agressor.
- Ela realiza a denúncia ou o relato do abuso para uma figura de confiança, instituição ou terapeuta.
- O Enfrentamento das Barreiras Discursivas e Institucionais
- Ao falar, a vítima depara-se com o que a ADC chama de “discursos de dominação e incredulidade”.
- Invalidação: Perguntas que culpam a vítima ou minimizam o ocorrido (“Você tem certeza?”, “Não foi apenas uma brincadeira?”, “O que você fez para isso acontecer?”).
- Inoperância: Falhas em redes de apoio judicial ou assistencial, onde o processo é lento, frio ou revitimizante.
- Relações de Autoridade: O agressor usa de seu status social, financeiro ou familiar para descredibilizar quem o acusa.
- O Retorno ao Silêncio (O Ressilenciamento)
- A vítima percebe que o ato de falar não gerou a proteção esperada, mas sim maior exposição, julgamento e vulnerabilidade.
- Ocorre uma conclusão psicológica e social: “Falar é perigoso e inútil”.
- A pessoa recua e cala-se novamente. Este novo silêncio é qualitativamente diferente do primeiro: ele é carregado de desamparo aprendido, desesperança e traumas sobrepostos.
Como a Análise de Discurso Crítica (ADC) Aborda as Dinâmicas de Poder
A ADC (baseada em teóricos como Norman Fairclough) não estuda a língua apenas como gramática, mas como uma prática social que molda e é moldada pela sociedade. No caso do ressilenciamento, a ADC analisa três dimensões:
- O Discurso como Instrumento de Dominação: O silêncio não é apenas a ausência de som, ele é ativamente produzido por quem detém o poder. Quem está em uma posição superior (o agressor, uma instituição patriarcal ou um adulto) usa o discurso para definir o que é “verdade” e o que é “fantasia”.
- A Ideologia nas Estruturas Sociais: Mitos sociais — como o de que crianças mentem sobre abuso ou que mulheres inventam falsas acusações por vingança — estão entranhados na linguagem cotidiana de delegacias, tribunais e famílias. A ADC desvela como essas ideologias agem como barreiras invisíveis que barram a voz da vítima.
- A Mudança Social por meio da Linguagem: Da mesma forma que o discurso pode oprimir e ressilenciar, a ADC defende que a tomada de consciência sobre essas armadilhas discursivas permite criar novas práticas linguísticas (como a escuta qualificada e o acolhimento terapêutico sem julgamento) que quebram definitivamente o ciclo e impedem o ressilenciamento.
(Esse texto é resultado de consulta feita ao Gemini em 25 de maio de 2026)
(*) A logo exibida é da Linha de Pesquisa “Ressilenciamento”, do Grupo de Pesquisa Linterfaces, do Câmpus Formosa da Universidade Estadual de Goiás (UEG).

Parabéns ao autor por introduzir o vocábulo na discussão sobre a violência contra as crianças, de modo a ampliar a percepção do problema.
Grande Paulo…
Muito obrigado!
SX